21 de abr de 2011

Lamento dos imperfeitos



Ontem, quase desisti de tudo, até mesmo desse blog, entrei e busquei onde deletar tudo, como encerrar a conta do blog e ainda NÃO DESISTI, mas fui desistindo de outras coisas, porque o que eu queria era desistir de mim mesma, de vergonha, das minhas limitações, das dificuldades para entender, estudar, assimilar, concentração.
Consegui tirar um ZERO-00 na prova no curso de Direito em Direito Civil, foi horrível, esta sendo horrível, voltei ao meu tempo de colégio, nunca fui uma excelente aluna e sempre sofri muito com isso e continuo sofrendo.Pois, eu desistia, fugia da escola, repetia de ano, me escondia, sempre me senti inferiorizada na escola, sempre.
E, agora chego a uma conclusão que sofri e sofro Builling sim, o olhar dos próprios professores para mim(como você é burra, o que acontece), os colegas de classe a princípio antes das provas nos tratam bem, quando olham as suas notas jamais são capazes de estender uma mão para ajudar e incentivar o aluno/colega com dificuldade, uns conseguem sim estudar e muito e ir bem nas provas, mas há os como eu, que mesmo estudando eu tenho dificuldade de concentração, assimilar, reconheço, mas NUNCA, nenhum professor me ajudou nisso no colégio(primário, ginásio), sempre foi mais fácil para educadores chamarem os pais, e indicar psicologos, etc, mas verem que as atitudes, os olhares como "ah....essa não vai conseguir", "essa é incapaz, burra",é problemática,e assim, pasmem foi ontem na faculdade, em um curso de Direito de 1 semestre que voltei para o meu primário de frente com os mesmos olhares de colegas e a mesma atitude de um professor....o que foi pior, ele sequer foi capaz de perguntar o que aconteceu, sequer olha nos olhos direito, pelo contrário desvia seu olhar e fica calado, uma indiferença, um silêncio, uma atitude que compreendi que para continuar nesse curso, nessa faculdade vai ser por mim mesma, superando toda minha insegurança, inferioridade e VENCER SOZINHA, porque infelizmente a aluna burra, inferiorizada jamais vai ter o apoio do professor, professores só enxergam as qualidades e vitorias dos alunos que tiram notas boas e estudam para ele, mas, eles infelizmente não sabem os que estão com imensa dificuldade, se esforçam, não sabem o quanto é doloroso para quem quer aprender e tem muita dificuldade e o pior a maior dificuldade de expor e assumir seu fracasso e querer ajuda e não ter.
Por isso, muitas crianças na escola sofrem com isso, os colegas deixam de lado, a exclusão, e os próprios professores enxergam e preferem ver como alunos com dificuldades e indicados para tratamentos psicologos, reforços escolares, mas o que queremos é em primeiro a segurança nos nossos próprios MESTRES e não suas costas, seus olhares desviados, sua indiferença!!!
Enfim, MESTRE mesmo somente UM que não nos rejeita jamais, pelo contrário nos CAPACITA, ELE NÃO ESCOLHE OS capacitados e SIM CAPACITA seus ESCOLHIDOS.MESTRE MESMO SOMENTE DEUS!!!O SENHOR DO SENHOR, PROFESSOR DOS PROFESSORES, MÉDICOS DOS MÉDICOS E JUIZ SOBERANO!!!
DOEU NÃO FOI O ZERO, DOEU FOI, MAIS UMA VEZ A INDIFERENÇA DE UM MESTRE COM SUA ALUNA!
MAS, O MEU MESTRE ME LEVANTA DE NOVO E DIZ PARA NÃO DESISTIR, VOU CONTINUAR SIM TIRANDO NOTAS BAIXAS OU MELHORES, MAS VOU SUPERAR MINHA INCAPACIDADE DE ASSIMILAÇÃO, VOU SUPERAR MINHAS LUTAS, MINHAS DIFICULDADES, MINHAS PRISÕES!!!!



As prisões mais seguras são as que construímos para nós mesmos






Gostaria de compartilhar algo específico, aquilo que nos toca, que toca a condição de mulher e de homem que traz a diferença da arte dentro si.

Duas vezes por semana chego à minha casa muito tarde e por esta razão encontro Guilherme dormindo, mas esta semana foi diferente. Ao retornar encontrei Guigui acordado. Disse que precisava conversar. Disse estar cansado de refazer as lições do colégio: “Não quero mais apagar o que escrevi! Estou cansado de tanto apagar e refazer as lições. Ela é boazinha comigo, mas eu não quero mais ter que corrigir as lições. Quero ir para outro colégio”.

Talvez seja este o sentido mais exato da alfabetização. Aprender a escrever a sua vida, como autor e como testemunha de sua história, isto é, biografar-se, existenciar-se, historicizar-se. A alfabetização tem como ideia animadora toda a amplitude humana da “educação como prática da liberdade”, o que em regime de dominação, só se pode reduzir e desenvolver na dinâmica de uma “pedagogia do oprimido”.

Havia diante de mim alguém que precisava aprender que repetir palavras não se restringe a desenvolver a capacidade de pensá-las segundo as exigências lógicas do discurso abstrato; simplesmente coloca o alfabetizando em condições de poder re-existenciar criticamente as palavras de seu mundo, para, na oportunidade devida, saber e poder dizer a sua palavra.

Esse é o desconcerto do cristianismo! Em seu método Jesus revive a vida em profundidade crítica. A consciência emerge do mundo vivo, objetiva-o, problematiza-o, compreende-o como projeto humano.

Em diálogo circular, intersubjetivando-se mais e mais aqueles que passavam por Ele assumiam juntos, em círculo, e em colaboração, reelaboravam o mundo e, ao reconstruí-lo, apercebiam-se de que, embora construído também por eles o mundo no qual viviam, não era verdadeiramente para eles. “Humanizado” por eles esse mundo não os humanizava. As mãos que os faziam não eram as que os dominavam. Destinados a liberá-los, escravizava-os como objetos.



"Os escribas e fariseus trouxeram à sua presença uma mulher surpreendida em adultério, fazendo-a ficar de pé no meio de todos e disseram a Jesus: Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério. E na lei nos mandou Moisés que tais mulheres sejam apedrejadas; tu, pois, que dizes? Mas Jesus, inclinando-se escrevia na terra com o dedo. Como insistissem na pergunta, Jesus se levantou e lhes disse: aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra. E tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão. Mas, ouvindo eles esta resposta e acusados pela própria consciência, foram se retirando um por um, a começar pelos mais velhos até os últimos, ficando só Jesus e a mulher no meio onde estava. Erguendo-se Jesus e não vendo ninguém mais além da mulher, perguntou-lhe: mulher, onde estão teus acusadores? Ninguém te condenou? Respondeu ela, ninguém, Senhor! Então, lhe disse Jesus, nem Eu tampouco te condeno; vá e não peques mais".

O ser humano tem uma capacidade muito grande de passar do discurso concreto para a imaginação. A condição de mulher e de homem que trás dentro de si o específico da arte é um coração fortemente tocado pela sensibilidade e que por isso merece um cuidado especial.

Cada cristão tem o seu desafio de tornar-se, isto é, existe todo um projeto de vida para se chegar lá e é preciso passar pelo caminho.

Nós não somos melhores nem piores que ninguém, somos diferentes. Não é pela mesma via, pelo mesmo discurso, pelo mesmo jeito que se chega ao coração dos outros. Cada ser humano tem um jeito diferente de ser e precisa ser tradado na sua diferença, pois se nós não cuidarmos daquilo que somos, nós nos transformamos em verdadeiros monstros a começar por aí. Alguns seres humanos correm o risco de passar pela vida sem viver. Imaginam tanto, iludem-se tanto que acabam perdendo o senso de realidade.

Você já viu quando a inveja toma conta do ser humano? Sempre tem aquela tentação de achar que o outro é melhor, que o outro tem aquilo que você gostaria de ter? Pronto! Ai está o grande risco da primeira desintegração do coração do ser humano, deste ator da vida – de justamente querer o que não é dele.

Uma das coisas que mais impressiona em Jesus é a sua capacidade de fazer o outro, de encontrar aquela pessoa e de fazê-la tomar posse do que ela é – sejam suas vergonhas, suas qualidades, mas tomar posse do que se é.

Deixe de imaginar! Deixe de ser aquilo que você não é! Deixe de projetar-se e de ilusões imaginarias em realidades que não são concretas na vida, pois isto é o mesmo que não viver!

O conceito de pessoa dentro da filosofia e dentro da teologia é estabelecido a partir de dois polos: Primeiramente ser pessoa é dispor de si e num segundo momento, quase que concatenado, quase que junto com o dispor de si, vem o dispor para o outro. Isto é simples demais!

Pode parecer uma teoria complicada, mas na realidade isto é muito simples. Só pode ser disponível, isto é, dispor para o outro, aquele que antes dispõe de si.

Se você não é dona (o) daquilo que é seu, como poderá oferecer o que é seu para o outro? É neste momento que entra todo o discurso religioso unido ao conhecimento que a Psicologia hoje tem e que nos ajuda, e que nos ensina a ser cristãos - o que a psicologia e a religião dizem é que conversão é processo de tomada de posse do que se é, para que, então Deus tenha chance em nós, pois Deus não pode trabalhar a partir daquilo que não sou e finjo ser.

Deus não trabalha com fantoches, Deus não trabalha com gente de cara pintada, de gente mascarada. Não há condições, e aí se antepõe o discurso, a respeito da pessoa.

Dentro da filosofia grega era o discurso da máscara. O que é a pessoa dentro da filosofia grega? A máscara que se usa. Então se é uma máscara feliz, aquela pessoa está identificada como personagem feliz, se é a máscara da tragédia, ela está identificada como a personagem da tragédia.

A patrística – reflexão cristã - aperfeiçoou isto. Não é apenas uma representação, não é apenas um teatro, não é apenas uma externalização, não é apenas uma realidade externa. Ser pessoa é antes de qualquer coisa a disposição, isto é, eu estou a minha disposição, eu sei lidar comigo, eu sei quem sou eu.

Tenho diante de mim os meus limites, as minhas qualidades e percebo que ser gente vale apena. Ser gente na luta cada vez maior de dispor do que eu sou. Não pode haver ser humano realizado, feliz, nem cristão, se não existe a busca daquilo que se é.

Eu tenho limites, eu tenho qualidades e defeitos e isto é ser o que eu sou. Não vou ficar me imaginando e não tenho o direito de deixar que alguém me imagine. Você é o que você é e a sua conversão passará por esta compreensão. Eu sou isto! Tomo posse da minha verdade!

Graça de Deus não é uma realidade que está acima de nós. Não! Graça de Deus é o movimento que nos faz refletir o que nós somos. É o movimento de Deus como se fosse nos colocando o tempo todo em “formato de espelho” para que eu me olhe, para que eu me veja, para que eu descubra para quem eu sou.

Jesus no momento em que encontra Maria perdida no meio do povo, pronta para ser apedrejada, Ele não a imagina e nem permite que ela se perca na imaginação daqueles que estão ao lado dela.

Ali havia uma realidade concreta: uma prostituta foi pega em adultério e deveria pela lei, ser apedrejada. Jesus faz com que aquela mulher volte a dispor de si. Volte ao primeiro movimento da vida de Deus nela. “Eu sou um ser humano, eu sou uma filha especial para Deus, e eu não tenho o direito de me projetar nessa imaginação que a vida fez de mim. Tornei-me prostituta, mas eu não nasci para ser”.

É como se naquele momento ela voltasse a dispor do que ela era, voltasse à primeira condição – a realidade mais original que aquela criatura tinha dentro dela.

Por que nós temos dificuldade de dispor do que nós somos? Porque a nossa natureza “artística” é naturalmente artificial.

Se por um lado nós seres humanos somos dotados de uma profundidade , se por um lado nós conseguimos ver as coisas com profundidade, por outro lado , o ser humano cai muito facilmente nos artifícios.

Você assistiu Lisbela e o Prisioneiro? Há um momento em que ele conta para ela como foi que aconteceu a transformação em sua vida. Ele diz: “Um dia passou pela minha cidade um Zepelim todo iluminado rasgando o céu”.

Imagine um menino que mora no nordeste e derrepente passa pelo céu um objeto todo iluminado, todo cheio de beleza. Ele diz que começou a correr atrás daquele Zepelim – e foi correndo, correndo – correu dias e dias até se perder e não tinha mais como voltar. Ele não sabia mais o caminho de retorno para casa. Ele preso dentro daquela grade, olha para Lisbela e diz: “Desde então, Lisbela, o meu destino é correr atrás de tudo que é bonito”.

Muitas vezes porque o nosso céu se ilumina de algumas novidades - e o ser humano é tão afeito aos artifícios, gosta de tudo tão bonito, a alma do ser humano é estética, tem uma facilidade muito grande de gostar daquilo que é estético. O ser humano não foi muito feito para disciplina, não foi muito feito para aquilo que é demorado, para a palavra que vai demorar. O ser humano gosta do artifício e isto não é defeito, é diferença que precisa ser domada e no momento em que nós corremos atrás do que é artificial, do céu iluminado por um Zepelim temporário, corremos o risco de nos perder de nós mesmos.

A instabilidade afetiva do ser humano é tão concreta! Se este ser humano não se cuida, se não se projeta para a disposição daquilo que se é, vira um (a) “prostituto (a) de luxo”.

O ser humano corre atrás de qualquer artificio que passa e acha que aquilo é a sua vida porque o ser humano é dramático. O ser humano tende a dar uma resposta muito rápida, o ser humano não sabe demorar, não sabe parar. O ser humano vai na pressa do artifício, vai atrás do brilho temporário achando que aquele brilho é eterno e aí se decepciona e então cava dentro de si uma ausência de disposição de si. O ser humano vai colocando a sua vida na mão do outro, o outro vai decidindo pela pessoa, o outro vai fazendo pela pessoa - e mais tarde não tem mais condições de si dispor para o próximo porque deixou de dispor de si e aí ficam perdidos.

Por esta razão os compromissos para o ser humano tornam-se difíceis de serem levados a diante – porque ficam muito atentos a tudo o que está passando, a tudo que está acontecendo: “Acredito em Deus, esta energia”.

Por favor! Energia dá choque! Colocam toda a experiência do sagrado de maneira tão banal, de maneira tão descompromissada: “Eu acredito em Deus, mas não permito que Ele mude em nada o meu comportamento. Deus é apenas mais um chapéu que eu uso na cabeça. Deus é apenas mais uma camiseta colorida que eu gosto de ostentar ou uma cruz que eu carrego no meio do meu peito e pronto!”. Tornou-se um artifício! Cuidado!

Nós precisamos cuidar para que Deus não se torne a nossa vaidade. Nós somos afeitos as vaidades. Não temos que ter medo de dizer isto, não temos que ficar envolvidos numa hipocrisia que nos impede de dizer que nós somos vaidosos sim.

Há vaidade em nós e o destino dessa vaidade é você quem dará. Ou você a domina ou ela irá dominá-lo (a). Vaidade que não é apenas vestimenta. É ideia: Só ela (e) sabe e não tolera alguém que saiba tanto quanto.

É o olhar atravessado para o outro. O (a) vaidoso (a) não tem disposição para ouvir o outro porque o seu discurso é bom, discurso que convence é o dela (e).

A nossa vaidade se multiplica de diversas formas. Há vaidades que são humildes... “Nossa como você canta bem! Canto não estou aprendendo ainda” e faz aquela carinha de “bombom de cereja”.

Aquela vaidadezinha... A pessoa custa a conversar porque precisa mostrar que ela é santa, que ele é santo e conversa de um jeitinho mansinho. Não dispõe de si ainda.

Nós precisamos ser santos do jeito que nós somos de fato. Seja santo com as suas reais características, não invente uma personagem. Corre o risco de você chegar lá no céu e Deus não saber quem é você: “Ué, eu te criei de jeito e agora chegou outro aqui! O que aconteceu?”

Descubra onde está o teu maior defeito e ali você saberá como é que irá nascer a sua santidade! Santidade nasce é de defeitos – de defeitos que você vai trabalhando, porque vai dispondo de si, vai tomando consciência sabe onde aperta o sapato, sabe muito bem o que pode e o que não pode. Sabe muito bem quem é você e vai tomando posse disso. E quem sabe quem é, vai ter maior facilidade de lidar com o outro - inclusive ajudar o outro a ser autentico. Lugar de pessoas autênticas promove autenticidade em quem chega. Lugar de gente falsa provoca falsidade em quem chega.

Nós só podemos ser cristãos na verdade, na autenticidade. Meus amigos mineirinhos costumam brincar dizendo: “Fica quietinha pra eu gostar de ocê” e às vezes eu brinco: “Tô quietinha, bem, pra ocês gostarem de mim” (risos).

No momento em que o outro chega, ou nós ajudamos a dispor de si ou nós vamos impedir a disposição do que ela é.

Você sabe quem é você. Agora... Eu pergunto: O que você está fazendo do que você sabe que é? Uma coisa é saber quem nós somos, outra coisa é nós sabermos o que estamos fazendo com o que nós somos e pior, o que nós estamos deixando que o outro faça de nós, porque tem muita gente imaginando você.

Algumas pessoas me imaginam, mas eu sei quem eu sou e não tenho o direito de me transformar na imaginação do outro, pois pode ser que o outro esteja me imaginando totalmente diferente do que Deus me fez. E entre o que Deus me fez e o que o outro me imagina, eu ainda prefiro ficar com o que Deus fez. E se você assume o compromisso de saber o que Deus fez de você, o que Deus faz com você, então começará a trabalhar na parceria com Ele: “Senhor eu sei o que você me deu, eu sei o que você fez e agora eu sou operária (o) daquilo que você me fez”.

O que Deus criou não está pronto – é como se Ele nos entregasse todas as sementes para uma floresta – agora o plantio é seu! Deus não vem plantar a sua floresta! Deus lhe dá as sementes e agora o plantio dessa semente é obrigação sua! E você assume isso: “Eu vou me transformar naquilo que Deus me fez, sou obra de Suas mãos”. E Deus não faz porcaria. Se por acaso você está se transformando em “porcaria” (coisa sem valor, barata ou inútil), cuidado! Você está correndo atrás de um Zepelim iluminado que não é Deus! Ou não é o desejo de Deus para você.

Meu bem este é o desafio de toda hora! Se nós não descobrirmos onde estão sendo colocados os nossos olhos e os nossos pés, as nossas atitudes. Se nós não temos noção para onde estamos indo, será muito difícil Deus conseguir fazer em nós aquilo que Ele já nos deu.

Nós vamos sendo o que Ele é em nós – é mistura, isto é arte! E essa é a mais difícil de todas as artes – se você precisa ensaiar mil vezes uma coreografia para que ela possa ficar harmoniosa, se você precisa treinar mil dias para poder ter um conhecimento específico de um determinado instrumento de uma arte. Para ser gente esse treino não está classificado em dias, nem em meses – é a vida inteira. Dessa arte nós vamos ter que morrer com ela. Arte de ser o que nós somos. E ser pessoa requer arte!

Há um lamento nordestino que diz:

Não sou perfeito
Estou ainda sendo feito
E por ter muito defeito
Vivo em constante construção
Sou raro efeito
Não sou causa e a respeito
Da raiz que me fez fruto
Desfruto a divina condição

Em noites de céu apagado
Desenhos as estrelas no chão
Em noites de céu estrelado
Eu pego as estrelas com a mão
E quando a agonia cruza a estrada
Eu peço pra Deus me dar sua mão

Sou seresteiro
Sou poeta, sou romeiro
Com palavra, amor primeiro
Vou rabiscando o coração
Vou pela rua
Minha alma às vezes nua
De joelhos pede ao tempo
A ponta do seu cobertor

Vou pelo mundo
Cruzo estradas, num segundo
Mundo imenso, vasto e fundo
Todo alojado em meu olhar
Sou retirante
Sou ao rio semelhante
Se me barram, aprofundo
Depois vou buscar outro lugar



Se você quiser afirmar sem medo uma verdade antropológica, essa é a verdade: “Da raiz que me fez fruto, desfruto a divina condição”. Você é divino. Pode parecer heresia isso, mas é Irineu de Lyon quem nos ensina. É a teologia patrística que nos ensina a dizer que nós somos deuses. Sabe por quê? Porque Deus é em ti. Porque Deus é em mim. O ser humano é o Tu de Deus. Deus acontece plenamente num coração, quando ele se dispõe a ser o que Deus é, quando ele faz da arte de desafiar-se, de vencer-se nas suas misérias, nos seus ciúmes, nas suas limitações e faz o desafio de que Deus aconteça aí, agora, nesta história, em você, em mim.

Não é nenhuma pretensão. É você sendo Deus na vida do próximo. Isso não é assumir uma divindade à parte. Não! A nossa divindade só acontece na participação, na comunhão com Aquele que É.

Ele é tudo para mim. Eu não sei dizer quem eu sou se eu não lembro o nome Dele. Retire-me o Evangelho e eu não terei mais nada para falar a você. Retire-me a misericórdia de Deus e eu não saberei como te olhar. Retire-me da mira da salvação e eu não saberei mais acordar, eu não saberei mais ter esperança. Retire-me da mira de tudo aquilo que eu considero santo, sagrado e eu não saberei dizer o meu nome.

Se você sai da mira de tudo que é sagrado para você, você não saberá mais quem é - e isto é viver a identificação com Deus, isto é viver a arte de ser humano e de ser divino ao mesmo tempo. Não são realidades que se antagonizam, não é realidade que se opõe – são parcerias, realidades que são juntas.

Viva uma história de amor com você mesmo! Não permita que o outro lhe sequestre! Apaixone-se por você! Isto pode parecer um discurso tão estranho já que nós fomos tão educados para fora, mas o amor ao outro só é possível no momento em que nós amamos a nós mesmos. A caridade com o outro só é possível no momento em que nós praticamos conosco mesmos. O amor a Deus, a realidade sagrada, nós só a reconhecemos no dia em que nós somos também.

É aquela velha história: “Eu não consigo entender porque não posso fazer sexo fora do casamento”. Você acha que há problema em não entender? É claro que não!

Não há nenhum problema a pessoa não entender isto, tem problema não querer entender! Pois se a pessoa não entendeu até agora, ela pode entender a partir deste momento. Se você começar a descobrir que você é sagrado, você irá respeitar a sacralidade do outro, mas enquanto você não souber que você é sagrado, não adianta falar que o outro é sagrado, você não vai entender isso.

Há uma composição de Tom Jobim e Vinícius de Moraes que diz:

Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente, eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Prá te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta ausência tua me causou
Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida



Essa música é bonita para cantar para os outros, não é verdade? Olha que arte vai ser esse amor eterno! Amor ou você conquista todos os dias ou você se acostuma com o outro. Coisa triste é amor que acostumou. “Mal acostumado, você me deixou mal acostumado...” (Ara Ketu) Que coisa mais triste!

O desafio de cantar “Eu sei que vou te amar” para o outro é antes de tudo o desafio de cantar para você:

Eu sei que vou me amar
Por toda a minha vida eu vou me amar
Em cada despedida eu vou me amar
Desesperadamente, eu sei que vou me amar
E cada verso meu será
Prá me dizer que eu sei que vou me amar
Por toda minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência minha eu vou chorar
Mas cada volta minha há de apagar
O que esta minha ausência me causou
Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado meu
Por toda a minha vida



Pode parecer herético para alguns, mas ou você vive no amor por você ou não saberá o que é ser de Deus, ´pois quando Ele nos olha, coloca um amor que move primeiramente a nós, depois, naturalmente você viverá na disposição do que se é e viverá na disposição do outro. Quem não se ama não sabe amar ninguém e é muito triste nós vermos na vida uma pessoa que perdeu o amor por ela mesma.

Ela já está ausente de si mesma, já não sabe mais quem ela é, se perdeu atrás dos Zepelins da vida e os amores estragados que foram passando por sua vida – foi minado todo o amor próprio e neste momento ficamos diante de um ser humano “amarelo”, sem graça, “mais ou menos”.

Você percebe que o amor não mais existe. Perdeu a arte de viver, perdeu a arte de construir-se, perdeu a arte de dispor de si. E você não tem o direito de perder este amor por si mesmo. Ame-se! Pois Deus acontece em você cada vez que você retoma o amor próprio e que se decide pelo seu bem, decide-se por sua luta, quando você não aceita que o outro lhe escravize. O diabo não tem vez na vida de uma mulher ou um homem se amam.

Quem é que vai se prostituir? Porque você iria se prostituir? Você se ama? Reconhece a sacralidade que está em você? O amor de Deus te faz vencer.

Porque você vai trazer vícios para sua vida se você se ama? Vai se destruir pra que? Pra que você vai fumar? “Ah, eu gosto de ter câncer, quero ter todas as doenças respiratórias. Eu me amo tanto!”

A mesma coisa nós ouvimos durante o carnaval ou na micareta: “Eu quero ir para esta micareta e quero me acabar!”.

Eu, Regina,(CLAUDIA) desejosa para começar, meus amigos desejosos para recomeçar, muitas pessoas desejosas para recomeçar e eles estão querendo se acabar!

Não é possível que a gente possa amar-se e ao mesmo tempo optar por tanta destruição. Essa prostituição socializada – isto é expressão de uma comunidade que não se ama! De uma sociedade que não se ama - que vive pra fora correndo atrás de Zepelins iluminados, mas que não trazem nenhuma dignidade. Nada! Absolutamente nada!

Esse é o desafio de toda hora! Esse é o desafio de todo momento! Torna-te pessoa! Ser gente! Tomar posse do que você é! Depois poderá se dispor para o outro. É sagrado, não tem como negar. Mesmo que esteja como um “cascalho”. Se lavarmos bem, retirarmos todo o barro, iremos descobrir que debaixo de todo esse excesso, o que existe é diamante. É isso que você é. Diamante! Artista, artifício, artesão e todas as palavras que podem nascer dessa. Artesão da tua própria história.

Que a tua coreografia, a mais linda, não seja a dos palcos, seja da tua alma, da tua vida, do teu coração - e que o seu teatro não seja um ensaio de uma vida infeliz, mas que desperte verdade – a verdade daquilo que nós somos. Que a nossa canção possa nos iluminar, que a nossa arte possa nos prender em Deus, pois só quem está preso Nele, pode viver solto no mundo.

Solto! Livre! Quem está preso em Deus está livre no mundo! É isto que eu gostaria que você fosse.

Que o Zepelim da sua vida seja a eternidade. Corra atrás de tudo que é eterno. Saiba apreciar o que é temporário, mas não coloca o definitivo da sua escolha ali.

O temporário – o próprio termo diz, está sujeito ao tempo. Seja filha (o) do céu! Descubra, registre na sua história essa identidade, não se perca dessa verdade. Toma posse dessa verdade, toma posse dessa realidade: Você é filha (o) do céu. Sua vida tem que ter expressão constante desse amor de Deus. Sua arte tem que ser expressão constante da sua luta para tornar-se pessoa, para dispor do que você é e, sobretudo para ser para o outro um instrumento de disposição do que ele é.

Transforme esse mundo com a sua arte, transforme esse mundo com a sua capacidade de ser bom, transforme esse mundo com a capacidade que o bem tem de transformar e proclame isso com toda força do seu coração.

Se por acaso até hoje você viveu em condição de “cascalho”, tu és diamante! Filha do céu, filho do céu, pedra preciosa! Rara. Nada neste mundo pode comprar, pode negociar nada neste mundo pode desprezar jogar fora.

O Deus que está em ti. É Ele a quem eu reverencio! E diante do teu coração eu posso me prostrar porque sei que Ele é realidade santa, independente do que você pensava Dele até o dia de hoje. O seu pecado não é capaz de retirar a sua condição de filha (o) do céu. O pecado pode fazer esquecer, mas não pode retirar do seu coração essa condição.





Obs: Segue em anexo o Lamento dos Imperfeitos. CD “Vida” Fábio de Melo.

Regina Lopes

ENFIM, E HOJE RECEBO ESSA LINDA MENSAGEM EM MINHA CAIXA DE EMAILS E EM LÁGRIMAS AINDA DE VERGONHA, DE INCONFORMADA, INDIGNADA COM O ZERO EU AINDA NÃO DESISTI, PORQUÊ MEU ZEPELIN É O MESTRE DOS MESTRES, QUEM EU BUSCO E ME LEVANTA HOJE E ME FAZ PROSSEGUIR PARA O ALVO É O MESTRE DOS MESTRES:JESUS!!!

7 de abr de 2011

Só Deus pode restaurar esse amor - Ton Carfi



LUTO junto com as familias que perderam seus filhos hoje e luto pela vida do atirador que se deixou enganar pelo seu proprio coração.

LUTO...como mãe não posso deixar de chorar e sentir a tragédia ocorriga hoje no Rio, a violência, infelizmente homens como pais acham que arma é poder, é segurança, em um ambiente de paz, harmonia que deve ser um lar, uma casa, porque ter uma arma de fogo com crianças , criando jovens???
(PAIS, O QUE SEUS FILHOS, NOSSOS FILHOS ESTÃO SEDENTOS E BUSCAM EM UM COMPUTADOR???)
SEI O QUANTO DIFICIL PARA MIM, COMO MÃE FALAR que ainda não consigo falar e ensinar o caminho o qual meus devem andar para não se desviarem quando crescerem, mas sei que a promessa será cumprida....Porque é tão dificil ter a arma principal dentro de um lar e estudar todos os dias e ensinar sobre a melhor defesa e manual para a vida do ser humano A BIBLIA???

Acabo de chegar de uma reunião, na escola estadual de meu filho de 14 anos, que com que ele e seus "bonde"(conforme ele falou), que são a turma dele, os colegas dele, começaram a jogar objetos, estojo, e o corretivo "branquinho" nas colegas de classe e foi para o corredor atingindo uma colega que é alergica e teve reação ao produto....ele riu, debochou,sabe crianças, jovens não sabem ainda o que são as consequencias de seus atos impensados, impulsivos, fazem coisas para chamar atenção, se auto afirmarem, como é doloroso sermos espelhos sem arranhões para nossos filhos, espelhos perfeitos, educar filhos, principalmente quando houve divorcio na familia, vivo isso no dia a dia, choro, sofro por um erro que tive na juventude com 17 anos de ser jovem e achar que sabia de tudo, casando cedo, querendo ser livre, emancipada e sem saber nada da vida.
E quando somos mães, pais jovens o que vejo muito hoje, porque mães a maioria trabalha para ajudar em casa, pais trabalham, ficamos ausentes muito tempo, mas queremos o melhor para nossos filhos, eles vão se adaptando na sua sociedade, seja escola, escolha de amizades, conflito quando chegam na adolescência ainda de que tipo de música é legal, roupa, qual a "tribo" digamos assim, é complicado, começam a terem necessidade de descorbertas seja cultural, social, religião, politica, e inicia o perigo, a descoberta do bem e do mal, o discernimento( o que uma criança e um adolescente são incapazes ainda para ter), surge as influências boas e as más.O que nós pais devemos sim, nesse momento entrarmos com o papel de pais chatos, quadrados, ultrapassados, neuróticos, e VIGIARMOS nossos filhos, por outro lado precisamos em parceria sempre com os profissionais da educação(professores) uma parceria para nos orientar e informar o que vai ocorrendo no dia a dia quando surge conflitos, mudanças comportamentais.
O que meu filho fez, houve uma punição sim, uma suspensão e muito dialogo com ele, mostrando o outro lado da situação, fazendo com que ele reflita e peça perdão a menina que atingiu, se arrependa e tenha vergonha dessa atitude para ele não mais cometer isso e ser melhor amanhã como ser humano.
Será que esse rapaz que com Ira, odio, causou tamanha tragédia, violência, não guardou dentro de si situação em sua infância, juventude que o feriu, magoou???

"Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem" Marcos 7.21-23.

"Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?" Jeremias 17.9.

“Guarda com toda a diligência o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida. Desvia de ti a malignidade da boca, e alonga de ti a perversidade dos lábios. Dirijam-se os teus olhos para a frente, e olhem as tuas pálpebras diretamente diante de ti. Pondera a vereda de teus pés, e serão seguros todos os teus caminhos. Não declines nem para a direita nem para a esquerda; retira o teu pé do mal.” (Provérbios 4:23-27)

Guardar o coração com diligência significa se empenhar, aplicar-se com zelo e cuidado para não deixar que nada de mal entre no coração. Pois do coração procedem as fontes de vida.


“Porque não há árvore boa que dê mau fruto nem tampouco árvore má que dê bom fruto. Porque cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto; pois dos espinheiros não se colhem figos, nem dos abrolhos se vindimam uvas. O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem; e o homem mau, do seu mau tesouro tira o mal; pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca.” (Lucas 6:43-45)


Como está o seu coração? Quais são as angústias que tem lhe impedido de alcançar cura?(eu particularmente sei bem o que tem me impedido, mas, derramo-me todos os dias ao Senhor clamando pela cura do meu coração)...faça isso também.
Peça de Deus um novo coração para que você alcance uma melhor qualidade de vida espiritual, familiar, ministerial e secular.


“Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho perverso, e guia-me pelo caminho eterno.” (Sl 139:23,24)


Quanto mais nós conhecemos a Deus e nos envolvemos com Ele, mais somos curados, porque o Senhor nos mostra quais as áreas onde necessitamos de cura.




1 Coríntios 13:1-4 Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.

E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.

E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.

O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.



Só Deus pode restaurar esse amor

Ton Carfi

Quero te pedir meu Senhor atenda agora o meu clamor
Pelo que fizeste perfeito e que o homem roubou

O amor que não existe mais
Como foi a muito tempo atrás
Alegria que existia no lar hoje se esfriou
O filho que dos pais se esqueceu
A família que não se fala mais
A filha que perdida esta
O casal que pensa em se separar
O desprezo que o vovô suportou
A indiferença que sofreu a vovó
O orgulho invadiu corações
Mas Deus pode restaurar esse amor

(Coro)
Só Deus pode restaurar esse amor
Só Deus pode restaurar esse amor
Ele é o cordeiro que vem do céu
Para restaurar e abençoar seu lar
Só Deus pode restaurar esse amor
Só Deus pode restaurar esse amor
Basta só você pedir com fé
E sua família Ele irá restaurar hoje

Derrama sua unção meu Senhor
Teu Espírito em nosso favor
Somos Tua existência a Tua criação
Eu te peço...

Pelo amor que não existe mais
Como foi a muito tempo atrás
Alegria que existia no lar hoje se esfriou
O filho que dos pais se esqueceu
A família que não se fala mais
A filha que perdida esta
O casal que pensa em se separar
O desprezo que o vovô suportou
A indiferença que sofreu a vovó
O orgulho invadiu corações
Mas Deus pode restaurar esse amor